

O Boxer herdou de seu ancestral o Bullenbeisser a valentia e a energia muito além do normal. No entanto, não é mais um cão de combate, já que desde o começo do século os criadores alemães trataram de amenizar seu caráter para torná-lo um animal completamente adaptado à civilização moderna. Espera-se dos exemplares de hoje que sejam sociáveis, dóceis e ao mesmo tempo que tenham a capacidade de defender seu dono em qualquer momento, lugar ou circunstância. Mesmo que o Boxer seja um animal de companhia muito agradável, também sabe transformar-se num cão feroz de defesa quando a situação exige. Sem contar que a sua morfologia atlética, a potente musculatura e uma cara de poucos amigos já são suficientes para deter qualquer temerário, seja qual for.
O apego que o Boxer tem pelo dono é tão grande quanto o prazer que tem de brincar com as crianças.
Seu temperamento irrequieto é muito conhecido e às vezes não consegue ficar quieto. Esta é a razão pela qual, ainda que sua vivacidade acabe sendo mais simpática que incômoda, não é exatamente uma companhia adequada para adultos. Porém se o animal for educado desde pequeno e o dono souber atuar com firmeza, não terá maiores problemas, e contará com resultados muitos bons. Não se trata de convertê-lo não fera muito perigosa, não animal incontrolável, mas se for submetido às provas de defesa, aprenderá a se controlar, a ter reflexos seguros, a obedecer uma ordem precisa e, com certeza, a proteger seu dono. Depois de um treinamento especializado, tendo sido bem educados, os Boxers superam essas provas sem que se transformem em cães de combate. Entre o público às vezes ocorrem mal entendidos a esse respeito, e convém esclarecer as coisas: todos os Boxers que passarem pelas provas de cães de defesa estão aptos a viver com uma família, brincar com as crianças e sair para passear. Eles simplesmente adquiriram uma habilidade que nem todos os demais congêneres tem.
Na Alemanha, as provas de seleção se baseiam claramente nas características morfológicas e se completam com provas de avaliação do caráter bastante rigorosas. Assim eles podem ter certeza de que o cão tem instinto de defesa, energia e um bom equilíbrio nervoso. Deve poder ouvir um tiro de escopeta sem se distrair da tarefa (este teste também é feito no Brasil para se obter o certificado de cão de trabalho). Na França, o Boxer só pode ser utilizado pela polícia uma vez que tenha superado essas provas, e o mesmo acontece com o Pastor Alemão, o Dobermann e o Rottweiler.
O Boxer não foi feito para viver dentro de casa. Precisa de espaço, no mínimo um quintal onde possa se movimentar durante o dia, antes de entrar em casa à noite. O dono deste cão deverá dar longos passeios, nos quais ele possa correr, trotar e se mover de forma livre e a seu gosto. Mas é bom ter cuidado: o Boxer tem uma tendência de ficar pouco a vontade diante de outros animais, e seu dono precisa ser capaz de controlá-lo cada vez que resolva demostrar sua valentia mesmo que seja civilizado, não deixa de ser um molosso. Por isso, graças a sua inteligência, este animal é facilmente adestrado. E mesmo que goste de se divertir, pular, brincar, recolher um objeto quando é lançado, brincar de bola com crianças, enfim, chamar a atenção, nem por isso se deve atender a todos os seus apelos.
O Boxer é muito musculoso e seguro de si, por isso é preciso ter cuidado para que ele não machuque involuntariamente uma criança ou mesmo um adulto, ou destroce alegremente os móveis quando estiver "brincando".
O Boxer no Brasil tem sofrido altos e baixos. Nos anos 60 o número de exemplares em pista era bastante alto, e não raro atingia uma centena. Paulatinamente a raça foi decrescendo em número e sem duvida em registros, entretanto a qualidade sempre foi muito alta, mantida pelas inúmeras importações de matrizes e padreadores.
O Boxer Clube do Estado de São Paulo é a mais antiga associação tutelar da raça. Outros Boxers Clubes existem, porém, com certos altos e baixos. A popularidade da raça diminuiu nas ultimas décadas em função da sua fama de bonachão, e do caráter amistoso em confronto com a crescente insegurança dos centros urbanos que no entender de muitos requer que se tenha "cães ferozes", sem se ater que, ainda que brincalhão, o Boxer é capaz de defender seu dono mesmo ao custo de sua própria vida.

REFERÊNCIA: NOSSOS AMIGOS, OS CÃES: BOXER; EDITORA PLANETA